Entrevista: Cidade sustentável com a arquiteta Ingrid Fujisawa Santos; imperdível

Ingrid Fujisawa Santos, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUC- Campinas desde 2014 e pós graduada em MBA Gestão Ambiental e Sustentabilidade pela UFSCar (Campus Sorocaba) atua com arquitetura sustentável desde 2016 e acredita que apenas com um planejamento holístico das cidades é possível viver a sustentabilidade propriamente dita.

1. QUANDO FOI QUE HOUVE SEU INTERESSE POR SUSTENTABILIDADE E SUA TRAJETÓRIA?

Desde que me graduei em Arquitetura e Urbanismo, me interessava por sustentabilidade e ficava fascinada com os projetos que aplicavam seus conceitos. No final de 2014 estava buscando um curso nessa área e soube de um em Construções Sustentáveis, porém me questionei: “O que é sustentabilidade?”, ao me dar conta de que não sabia quase nada sobre, optei por me aprofundar em sustentabilidade de forma geral primeiro. No curso de MBA em Gestão Ambiental e Sustentabilidade, abri meus horizontes e pude ter muito mais contato com a sustentabilidade propriamente dita, além do contato com os profissionais que viviam a sustentabilidade. Foi assim que decidi abri meu próprio escritório onde trabalho com projetos residenciais sustentáveis, em Indaiatuba.

2. COMO FICOU SABENDO SOBRE A CIDADE SUSTENTÁVEL?

Meu pai pratica diariamente a leitura de jornais, seja de forma física ou digital e, um dia se deparou com uma matéria sobre a Cidade Sustentável do Japão, que coincidentemente levava o mesmo nome da minha família por parte de mãe o nome Fujisawa, recebi essa informação como um “sinal” como um chamado do Universo e esse ano de 2018 tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esta Cidade incrível.

3. COMO CHEGOU ATÉ LÁ?

Através de uma visita à minha avó que morava no Japão desde 2011, fizemos um tour pelo país para conhecer um pouco mais sobre a cultura japonesa. Realizei algumas pesquisas antes de ir para Fujisawa e percebi que apesar de ser chamada de Cidade, é mais como um bairro com cerca de 200 mil metros quadrados localizado na cidade de Fujisawa e este bairro foi denominado de Fujisawa Sustainable Smart Town ou Fujisawa SST.
Para chegar lá de Quioto, pegamos o Shinkansen (trem bala) e descemos na estação de Yokohama, depois pegamos o trem da Linha Tokaido e descemos na estação de Fujisawa, ao chegarmos lá tivemos que pedir informações de como poderíamos ir para a Cidade Sustentável e no balcão de informações recebemos as orientações e um cartão com um mapa para pegarmos um ônibus direto para Fujisawa SST, o ônibus estava endereçado á uma loja chamada Shonan T-Site e fica bem ao lado de Fujisawa SST, o ônibus é gratuito.

4. QUAL FOI SUA IMPRESSÃO SOBRE O QUE VIU?

Bom só por estar no Japão, eu já estava maravilhada com a limpeza das ruas, das áreas
comuns, da facilidade em se locomover através de transporte público, entre tantas
outras coisas que são impressionantes neste país. Ao chegar em Fujisawa SST me senti
num lugar que parecia de filmes de ficção, não pela aparência das casas, mas pela
organização, era como um set de filmagem, tudo perfeito e no seu devido lugar, o
projeto urbanístico foi desenhado de maneira muito peculiar formando uma espécie de
círculo no centro da Cidade, onde está localizada a praça de eventos e o parquinho para
as crianças brincarem. Sei que dizem que essa cidade é chamada de cidade do futuro,
pode até ser, mas esse futuro deveria ser agora.

5. COMO SÃO TRATADAS AS CRIANÇAS E OS IDOSOS LÁ?

Todos da comunidade são tratados como iguais, a cidade é 100% acessível e todos
podem se locomover com facilidade, pois ficam disponíveis para o uso dos moradores
bicicletas, motos e carros elétricos, além de locais para carregar suas baterias. Um
ônibus passa pela praça de manhã para levar as crianças à escola e retorna no período
da tarde para que voltem às suas casas e suas mães ou pais vão até a praça, a pé e
buscam seus filhos menores, já as crianças mais velhas retornam sozinhas.
No Japão de modo geral as crianças são tratadas com muita independência, desde os 6
anos de idade, elas devem ir para a escola sozinhas e isso faz com que elas “se virem”
desde muito jovens, claro que o país investe muito em segurança, possibilitando essa ação.

6. O QUE VOCÊ TRARIA PARA NOSSA REALIDADE BRASILEIRA?

Eu traria mais oportunidades para as pessoas experimentarem a sustentabilidade,
investimento em planejamentos mais coerentes das cidades, onde as pessoas não
precisarão se locomover quilômetros e quilômetros diariamente para chegarem aos
seus trabalhos ou as suas escolas ou casas e claro investimento em transporte público
de qualidade. Não posso deixar de expressar minha insatisfação com nossos recursos
serem explorados até a extinção e não termos infraestrutura básica para uma sociedade
evoluir de maneira saudável, como educação, segurança e saúde. Para atingirmos um
nível de satisfação máximo temos que ver além desses três pilares, temos que ver
mobilidade, energia, resíduos, cooperação mútua, só assim poderemos evoluir e viver
dignamente.

7. COMO SÃO TRATADOS OS RESÍDUOS?

Os resíduos são separados por categoria, cada dia da semana um tipo de lixo pode ser
ddescartado, ou seja, tem dia para descartar vidro, tem dia para descartar o papel, o
plástico e todas as categorias já estipuladas, isso ocorre em todo o país, não apenas em
Fujisawa SST, para resíduos como eletrônicos ou móveis é possível agendar um dia e
horário para serem retirados, basta entrar em contato com a prefeitura local.
Como plano de ação, a cidade possui tecnologia de ponta para monitorar quanto de
resíduo é gerado, quanto de energia é gasta, quanto de água é consumida, assim é
possível tomar medidas mais rápidas para contornar situações emergenciais, claro que
ainda não aconteceram essas situações, mas eles estão definitivamente preparados.
Os próprios moradores têm acesso aos mesmos dados de sua casa, podendo eles
mesmos tomarem medidas, apesar da tecnologia das casas ser de ponta, os moradores
se adaptaram facilmente.

8. O QUE MAIS TE ENCANTOU?

Acredito que o que mais me encantou foi o desenho urbanístico, ele foi desenvolvido
para que todas as casas fossem arejadas, ou seja, fossem ventiladas, o vento passa por
todas as casas de forma natural, isso sim é sustentabilidade, tornar algo que a natureza
já nos proporciona, a nosso favor, projeto é isso.

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